Arbusto de lúcia-lima a pender para o lado sol

Uma das aprendizagens que fazemos ao longo de toda a vida é a leitura. Essa aprendizagem não se restringe às letras. É muito mais ampla. Aprendemos a ler símbolos e sinais, a ler o céu e as estrelas, os gestos, os rostos, as rugas, os olhares… Resumindo, aprendemos a ler tudo o que nos rodeia.

Cá por casa, andamos agora a aprender a ler as plantas. Sim, esses seres vivos silenciosos que tendemos a ignorar como se não passassem de mobiliário… E afinal respiram, vivem e reagem. Quando observamos atentamente uma planta, aprendemos a ler os seus sinais. Começamos então a descobrir o quão estimulante pode ser esta leitura e a interação com estes seres vivos.

Enquadramento da lúcia-lima antes da poda

Foi o caso há uma semana atrás com a nossa lúcia-lima. Pela certa, há uma série de sinais que ainda nos passam totalmente despercebidos, mas quando ela se estica toda em direção ao Sol, já sabemos que é preciso podar um pouco a tangereira que lhe começa a fazer sombra. E quando começa a pender com o peso dos ramos, sabemos também que chegou o momento da nossa colheita anual de chá. Aquele chá delicioso e extremamente aromático que todos adoramos cá em casa.

Enquadramento da lúcia-lima depois da poda

É uma tarefa muito agradável  de realizar, pois das folhas emana uma deliciosa fragrância cítrica que nos vai envolvendo. É inebriante e confesso, quase terapêutico. Numa manhã tépida e serena de verão, ficar sentado à sombra a transformar os ramos podados em molhos de chá para secar, tem o dom de proporcionar momentos de grande paz interior. Paz interior induzida também pelo olfato que se extasia com o maravilhoso perfume que fica a pairar no ar.

Vasilha cheia de folhas verdes de lúcia-lima

Este momento de “leitura” entre folhas está longe de terminar aqui. Irá prosseguir ainda ao longo do ano, com a leitura dos sorrisos no rosto dos nossos amigos quando recebem de presente um frasco destas folhas aromáticas… Com a leitura do brilho nos olhos dos nossos filhos quando bebem uma taça de chá quente numa tarde fria de inverno… Chávena de café

Não o podemos negar. Cada dia descobrimos mais Poesia entre as folhas verdes.

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