O que queremos dizer com eco-ativismo?

Bem, queremos dizer que desejamos ir além de apenas partilhar no blog as mudanças que vamos implementando gradualmente no nosso quotidiano com vista à sustentabilidade. Tomámos consciência de que gostaríamos mesmo de inspirar outras pessoas a encontrarem o seu próprio estilo de vida mais sustentável e a compreenderem a importância do seu envolvimento nestas questões, quer possam fazer muito, quer possam fazer pouco. Queremos assumir com menos timidez a nossa defesa do ambiente e as nossas preocupações com a sustentabilidade. Queremos juntar-nos aos que nos inspiram à mudança. Dar o nosso pequeno contributo como o pequeno colibri que referimos no post anterior.

Porquê agora?

Porque se tornou impossível continuar a olhar para o lado, fazer de conta que está tudo bem, fechar os olhos. Basta passar os olhos por notícias bastante recentes na Imprensa e não precisa sequer de ser especializada nestas temáticas:

Podíamos continuar e ocupar páginas e páginas, mas o nosso objetivo não é deprimir, nem angustiar, nem causar ansiedade. O nosso objetivo é sensibilizar e motivar a agir. E ajudar a pensar positivo.

Como planeamos contribuir?

Como pudermos dentro da nossa disponibilidade e de forma muito concreta:

  • Continuando a partilhar no blog os nossos esforços enquanto família para ir mudando os nossos hábitos, comportamentos e mentalidade;
  • Continuando a partilhar no blog os nossos projetos de família nas áreas dos Rs (reutilização, restauro, recuperação, etc.);
  • Criando uma nova área no blog designada "Sustentabilidade e Eco-ativismo" para partilhar mais informação específica sobre os temas da sustentabilidade e sobre as iniciativas de que formos tendo conhecimento e/ou em que formos participando;
  • Criando uma nova área no blog intitulada "Roupa não é lixo" para partilhar dicas e projetos de restauro e recuperação de roupa danificada (o nosso pequeno contributo para ajudar a reduzir o desperdício e o lixo têxteis);
  • Criando uma área no blog intitulada "Apontamentos de Permacultura" para ir partilhando as nossas aprendizagens no domínio da Permacultura;
  • Participando tão ativamente quanto possível no grupo "Lixo Zero Portugal" no Facebook, a que aderimos no último ano e cujo entreajuda e empenho nos tem inspirado muito;
  • Criando e participando tão ativamente quanto possível no grupo Facebook denominado "Reutilizarte e Repair Café Portugal" com as metas de fomentar a entreajuda e partilha de saberes nas áreas do restauro, reparação, reutilização e recuperação de roupa, mobiliário, candeeiros, etc. bem como a troca de materiais e "resíduos" para projetos de criatividade, artesanato, educação, arte ou permacultura a partir do "lixo" e para ajudar a promover os "Repair Cafés" que forem acontecendo em Portugal;
  • Participando cada vez mais em atividades e iniciativas diversas neste âmbito (limpeza de praias, mercados de trocas, repair cafés, etc.);
  • Outras ideias que possam vir a surgir e que nos levem a atualizar este post sempre que necessário.

Porque tomámos esta decisão?

Bem, aqui em casa ninguém planeou algum dia tornar-se um defensor do ambiente ou abraçar a causa da sustentabilidade da vida na Terra. Como para a maior parte das pessoas que nos rodeiam, ainda não há muitos anos atrás considerávamos que esses eram temas que deviam estar entregues aos especialistas na área do Ambiente e conhecedores das matérias em questão, pelo que não nos competia meter a foice em seara alheia. Não parávamos muito tempo para pensar nas causas ambientais, ainda que sempre tenhamos sido sensíveis a elas. Mas tínhamos e temos outros sonhos e outras aspirações. Movemo-nos em esferas profissionais e vocacionais que não estão nem de perto, nem de longe diretamente ligadas ao Ambiente. E julgávamos que não tínhamos nada a contribuir nesta área. Mas hoje, face à dimensão dos problemas em questão e tendo tomado consciência de que está nas mãos de todos nós mudar o rumo desastroso que estamos a dar ao planeta Terra, é-nos simplesmente impossível ficar indiferentes. Não podemos ficar a assistir impávidos e serenos ao desmoronamento das condições essenciais para a existência de vida neste planeta. Não podemos. Porque amamos os nossos filhos e a nossa família. Porque amamos a vida neste planeta. Todas as formas de vida. Porque amamos viver.

Percebemos por isso que é necessário aumentar o efeito multiplicador. Somos pequenos e temos pouco impacto, é verdade. Mas já somos muitos. Já somos muitos a fazer mudanças, sejam grandes, sejam pequenas. E quantos mais formos a falar sobre estes assuntos, mais multiplicaremos o conhecimento sobre os mesmos. É preciso falar mais e mais sobre tudo isto. É necessário que sejamos cada vez mais a explicar e a debater as mudanças de estilo de vida, de hábitos e de comportamentos relacionados com a sustentabilidade e as razões que nos motivam. Ninguém abraça uma causa que não conhece ou que não compreende. E para que esta se torne uma causa de todos, temos que ser cada vez mais a conversar sobre o assunto, temos que comunicar, que debater, que esclarecer. Sem fundamentalismos. Com reflexão, com análise, com espírito aberto e tolerância. Temos que mostrar o que já está ser feito, o que pode ser feito. As questões em torno da sustentabilidade (o aquecimento global, as alterações climáticas, o lixo, as energias renováveis, a gestão da água, o consumo consciente, etc.) não podem continuar a ser vistas como preocupações dos ecologistas e de minorias com estilos de vida alternativos. Temos todos que tomar consciência plena de que a questão da sustentabilidade é uma questão de sobrevivência. Uma questão que nos afeta a todos. Só assim poderemos ser cada vez mais a mudar e a agir. E precisamos de ser mais. Muitos mais.

Percebemos também que existem bloqueios mentais muito perniciosos que dificultam e atrasam a mudança de paradigma. Esses bloqueios precisam de ser debatidos e desconstruídos. Como por exemplo a sensação de impotência que induz tantas pessoas no erro de pensar que não está nas mãos dos cidadãos fazer a diferença e que têm que ser os governos a responsabilizar-se.  Não é verdade. Os governos precisam de se responsabilizar. Sem dúvida. Mas a sociedade civil também. Grande parte dos problemas estão relacionados com o consumo e consumidores somos todos. Temos muito mais poder e podemos contribuir muito mais do que geralmente imaginamos.

Outro bloqueio mental extremamente paralisador é o medo da mudança. A mudança assusta. Mas a mudança pode ser excelente e temos que pensar positivo. Viver de modo mais sustentável não significa voltarmos ao tempo das cavernas e pode e deve ser (e já demonstra ser) motor de desenvolvimento, de espantoso progresso e fonte de bem estar. Como declara Rob Hopkins (fundador da Transition Network) com tão boa disposição, no documentário Demain: " Se perguntar às pessoas: "Como seria o mundo daqui a 20 anos se diminuíssemos o nível de emissão, como seria?" Muita gente imagina que teria de viver numa caverna gelada, comendo batatas podres. - É o fim do mundo! Na verdade, poderia ser fantástico!" (o documentário pode ser visualizado aqui).

Outro bloqueio mental é pensar que já não é possível retroceder, que a sorte está ditada, que já traçámos o nosso destino. Não traçámos absolutamente nada. Esta história ainda está a ser escrita e ainda estamos a tempo de lhe mudar o rumo. Não há aqui espaço para fatalismos. A Natureza tem um poder de regeneração extraordinário. E o Homem tem uma enorme capacidade de se reinventar. Só precisamos de meter mãos à obra.

Por tudo isto, aqui estamos. Empenhados em fazer a nossa pequena parte.

 

 

 

 

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