• Definição de Permacultura

O termo "permacultura" foi cunhado por um dos seus co-fundadores, Bill Mollison. É uma combinação dos termos "permanente" + "agricultura" .

Na essência, a Permacultura é um sistema de design ético para habitats humanos em harmonia com o mundo natural.

Nas palavras do próprio Bill Mollison:

“It is the harmonious integration of landscape and people providing for their food, energy, shelter and other material and non-material needs in a sustainable
way.”

Um sistema de agricultura permanente depende de uma cultura que o sustente e essa cultura também necessita de ser permanente: permanente + cultura = permacultura .

A tónica está na palavra permanente. Trata-se de criar sistemas e estruturas sustentáveis e duráveis para prover alimento, água, energia e abrigo, concebidos para não se degradarem e se regenerarem. Os sistemas concebidos em Permacultura visam a regeneração dos solos, da água potável, de alimentos saudáveis, de materiais de construção e da biodiversidade natural.

A atual definição de Permacultura já extravasou largamente o seu âmbito inicial e aplica-se hoje a muito mais do que a agricultura. O próprio Bill Mollison em entrevista refletiu sobre a dificuldade inerente em definir concretamente o que é a Permacultura no presente.

whatispermaculture

Definição de Permacultura na Wikipedia

Nota pessoal: David Holmgren é o outro co-fundador da Permacultura.

 

  • O processo de design em Permacultura

O próprio processo de design em Permacultura é regenerativo. Usando uma metáfora, o processo de design é regenerativo como uma árvore. As metáforas recorrendo a elementos da Natureza são muito usadas para explicitar conceitos de Permacultura. Sublinha-se a importância de ser um sistema regenerativo.

As raízes da árvore
O processo começa com o estudo e observação do mundo natural que irá servir de alicerce ao design e implementação. Esta parte do processo funciona como o sistema de raízes da árvore. É uma base de conhecimento primordial. Compreender os fluxos de água, as correntes de ar e vento, as movimentações e erosão do solo, o comportamento das plantas. É o estudo da ecologia, botânica, climatologia e várias outras áreas. É também a observação dos comportamentos humanos, principlamente das populações indígenas e da forma como plantaram e organizaram as suas aldeias localmente.

A par com toda esta observação, procede-se a uma análise do local para identificar os seus pontos fortes e pontos fracos. Quando a análise é bem feita o design e conceção acontecem naturalmente e sem grande esforço. Quando o design /conceção exige demasiado esforço e não surge com naturalidade pode indicar a necessidade de mais observação e estudo do local.

O tronco da árvore
O design/conceção é a base do tronco da árvore e a implementação é o topo. A Permacultura tem princípios e métodos que guiam este processo e são objeto deste curso. O sistema de design em Permacultura incide nos detalhes de como adaptar os sistemas aos diferentes tipos de clima. O design implica a interconexão dos vários sistemas incluindo a água, os caminhos, os edifícios, os jardins, as vedações, etc.

A implementação é a construção dos sistemas. Tanto pode ser uma pequena horta na varanda como uma grande quinta. As técnicas podem variar, mas o sistema básico de design mantém-se o mesmo.

A copa da árvore
A copa da árvore representa o feedback. O que é levado de volta às raízes num ciclo regenerativo em que o conhecimento e a experiência realimentam o sistema de design. Porque o design em Permacultura tem em atenção todos os aspectos das infraestruturas humanas e do ambiente. A Permacultura aborda os sistemas político, económico e social como parte do design.

A Permacultura vai buscar conhecimento a áreas tão diversas como Energia, Finanças, Economia, Ecologia, Antropologia, Arquitetura, Geografia, Horticultura, Botânica, Engenharia, Planeamento Urbano, Hidrologia, Silvicultura, Ciências do Mar, etc.

A árvore da Permacultura cresce em espiral e é composta por 7 ramos principais. A aprendizagem do sistema de design em Permacultura evolui em espiral começando a um nível pessoal e local aprendendo a colocar ordem na própria casa e depois avançando para um nível mais colectivo e global à medida que se vai expandindo para a comunidade local. Os setes ramos são o Espaço Construído, Ferramentas e Tecnologia, Educação e Cultura, Saúde e Bem-estar Espiritual, Economia e Finanças, Posse coletiva da Terra e Comunidade e Gestão da Terra e da Natureza.

permaculturefoundations

Nota pessoal: As sete áreas chave são as esquematizadas na Flor da Permacultura. A “flor da permacultura” foi adaptada de David Holmgren do livro “Permacultura: Princípios & Caminhos Além da Sustentabilidade”. Para mais informação, consultar a versão portuguesa do site Permaculture Principles.

 

  • Matriz para tomada de decisões em Permacultura

Conclui-se do que foi dito anteriormente que a Permacultura abrange praticamente todas as áreas humanas, mas visto que este é um curso introdutório de apenas 4 semanas irá focar-se apenas no design de terrenos. A Permacultura é bem conhecida pela eficácia das suas ferramentas para o design da terra, podendo melhorar o nosso entorno desde jardins a quintas, a cidades ou a campos de refugiados.

O Professor deste curso, Andrew Millison, cunhou o termo e o esquema subjacente à matriz para tomada de decisões em Permacultura como forma de representar o reenquadramento do processo de design tal como é explicado por Bill Mollison e muitos outros grandes professores e praticantes de Permacultura. Esta ferramenta de tomada de decisões é útil enquanto esquema básico que delineia as principais ferramentas usadas no design em Permacultura. Os elementos que constituem esta matriz ajudam-nos a fazer escolhas informadas sobre a localização a dar aos elementos dentro do terreno e como relacioná-los entre si. 

Topografia e forma do terreno
Começamos com a topografia e a leitura das formas do terreno. Compreender a topografia do terreno diz-nos como é que a água se move nele e revela como é que o solo se forma e se distribui. Compreender os padrões de movimentação da água é um componente chave para desenhar um sistema de Permacultura, porque planear para a água num local fornece o alicerce para estruturar os restantes elementos do sistema. Planeamos para ter água de uma forma que cria abundância e mantém a água ao seu nível de maior potencial, de modo a que a possamos usar vez após vez à medida que se move no local.

Setores (áreas influenciadas por forças externas)
A par com a topografia temos o que chamamos de setores. Os setores representam as áreas influenciadas por forças externas. Pode ser pela exposição solar, por ventos quentes ou frios, por tempestades, gelo, ruído, poluição ou qualquer outro agente externo que influencie as áreas internas. Uma vez identificadas essas forças e os setores que influenciam, o design torna-se uma resposta direta às mesmas, por exemplo criando zonas de sombra onde necessário ou pelo contrário favorecendo a entrada de luz no inverno.

Zonas (organizadas relativamente à centralidade da atividade humana)
Outro elemento a ter em conta no design para Permacultura são as chamadas zonas. As zonas identificam a movimentação das pessoas no local e a colocação dos elementos em relação à sua proximidade com o centro da atividade humana nesse lugar, tendo em atenção as que requerem cuidados diários e devem ficar mais próximas do centro de atividade humana até às áreas mais silvestres e intocadas que devem ficar mais longe desse centro. Por exemplo, uma horta que preciso de visitar diariamente deverá ficar próxima da casa e apanhar bastante sol e ficar protegida de inundações. A não ser que viva no deserto e nesse caso desejarei canalizar a água da chuva para a dita horta e localizá-la num sítio mais sombrio. Existem várias razões para cada elemento ser colocado num determinado lugar e a matriz ajuda a fazer essas escolhas.

Princípios de Design em Permacultura
Portanto, os diferentes elementos no nosso sistema estão interligados e é neste ponto que entram em consideração os princípios de design em Permacultura. Os princípios guiam as decisões de design e fornecem-nos uma base teórica para o design e interconexão entre as peças do nosso sistema de suporte de vida: jardins, árvores, pomares, campos, florestas, estruturas, sistemas de energia e também estruturas sociais, económicas e políticas.

Resumindo, a matriz de decisão para o design de terrenos em Permacultura baseia-se no cruzamento da informação topográfica do terreno, da informação recolhida sobre os setores resultantes da influência e ação de agentes externos, da informação recolhida sobre as zonas de atividade humana dentro do terreno e nos princípios teóricos da Permacultura.

Permaculturedecisionmakingmatrix

Nota: Estas são as minhas notas e apontamentos no âmbito do curso Intro to Permaculture, um MOOC (Massive Online Open Course) disponibilizado pela Oregon State University e lecionado por Andrew Millison, docente no departamento de Horticultura daquela Universidade. Têm por objetivo constituir um registo pessoal, uma base para ir organizando os conhecimentos e as leituras sobre Permacultura, mas são também uma forma de partilha para ajudar quem tiver interesse neste tema e em experimentar o curso. Aconselho vivamente o curso, pois todos estes conceitos são muito mais fáceis de compreender e ficam mais claros através dos vídeos do curso e dos esquemas explicativos do Professor. Também existe o livro do curso em PDF ou na versão online que inclui os vídeos. Estão disponíveis aqui: Introduction to Permaculture.