Detalhe de quadro de Almada Negreiros

Almada Negreiros na Gulbenkian. Foi o último fim de semana em que a exposição esteve patente. Não costumamos deixar nada para o fim, mas desta vez os imprevistos da vida levaram a melhor. Para cúmulo, esqueci-me por completo que estávamos também no primeiro domingo deste mês e que os museus são gratuitos. Resultado? Duas horas de pé à espera na fila para entrarmos...

Hoje os joelhos ameaçam uma entorse a cada passo que dou. E tivemos que apreciar os quadros junto com um mar de gente tão ávida de os ver quanto nós. Faltou-me o sossego para me perder dentro das telas. Faltou-me mesmo. De tal modo que nem fiquei com informação sobre o quadro acima de que tanto gostei...

Não foram as melhores condições, não há dúvida. Valeu a pena? Valeu. Gostei muito de ver os quadros de Miró em Serralves há umas semanas atrás, mas com Almada Negreiros foi muito mais do que gostar e foi muito mais do que ver. Foi sentir.

Adoro Almada Negreiros, mas conheço sobretudo o Poeta. Com esta exposição, descobri que mal conhecia e mal conheço o Pintor. Como expliquei no post anterior, a minha sensibilidade à linguagem textual ofuscou por algum tempo o meu diálogo com a linguagem visual. Sinto que estou a iniciar uma jornada de redescoberta. E não há dúvida de que ontem despertei para a pintura de Almada Negreiros. Se fosse possível, esta seria uma exposição que eu revisitaria vezes sem conta.